quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Preso em ato no Rio tenta fugir da cadeia após ter que ficar na 'solitária'


Rafael Vieira foi punido com isolamento pela segunda vez após atraso.
'Punição é torturante', diz Lucas Sada, um dos advogados de defesa.

Gabriel BarreiraDo G1 Rio
Rafael Braga Vieira foi condenado a 4 anos e oito meses de prisão por portar material inflamável (Foto: Henrique Coelho/G1 )Rafael Braga Vieira foi condenado a 4 anos e oito meses de prisão por portar material inflamável (Foto: Henrique Coelho/G1 )
O morador de rua Rafael Braga Vieira, detido em protesto em junho de 2013 com uma garrafa de plástico que teria material inflamável, tentou fugir do Instituto Penal Francisco Spargoli Rocha, em Niterói, onde cumpre pena. A evasão aconteceu no último dia 10 de dezembro, quando ele se apresentou com atraso ao presídio após mais um dia de trabalho extramuro. Por conta da demora, foi comunicado de que seria punido pela segunda vez com 10 dias na "solitária" — uma cela isolada, sem direito a banho de sol. Rafael teria aproveitado um descuido dos agentes penitenciários para passar pelo portão da frente, mas foi encontrado nas proximidades da cadeia e conduzido novamente à cela.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que Rafael só voltou ao presídio "no dia seguinte" e "tentou fugir da unidade minutos depois".
Foi o desespero de chegar pouco tempo atrasado e receber mais uma vez uma punição que é torturante. Ele estava traumatizado"
Lucas Sada, advogado do DDH
No final de outubro, Rafael foi fotografado ao lado de uma pichação no muro do presídio com a frase "Você só olha da esquerda para direita, o estado te esmaga de cima para baixo". Devido à imagem, ele foi punido com seus primeiros 10 dias de solitária. De acordo com o advogado Lucas Sada do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), um dos defensores do morador de rua, a punição reincidente deixou Rafael "desesperado".
"Em um momento que viu a porta aberta, correu, saiu e fugiu. Ele se evadiu, mas ficou por ali mesmo, ficou meia hora sumido. Foi o desespero de chegar pouco tempo atrasado e receber mais uma vez uma punição que é torturante. Ele estava traumatizado", afirmou Sada.
O advogado disse ainda que Rafael se atrasou na apresentação por conta da doença da mãe. Após a tentativa de fuga, Rafael foi transferido para uma unidade de regime semi-aberto, mas a administração da casa pediu a regressão de regime. Com isso, ele não pode mais trabalhar fora do presídio. Os advogados de Rafael dizem que vão recorrer.
'Não estou envolvido com nada errado'
Em entrevista exclusiva ao G1 em outubro,Rafael negou que portava material inflamável quando foi preso — e disse ainda que as provas foram adulteradas. "Nem sabia de nada que estava acontecendo naquele dia. O que eu queria era guardar o material que eu tinha recolhido para vender na feira", diz ele. Rafael afirma que conseguia até R$ 500 por semana vendendo o material recolhido Centro do Rio, como a feira do Morro da Providência. "Não estou envolvido com nada errado", garante ele.
Rafael Braga Vieira posa ao lado de pichação na porta de presídio (Foto: Reprodução/Facebook/DDH)Rafael Braga Vieira posa ao lado de pichação na porta de presídio (Foto: Reprodução/Facebook/DDH)

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